quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Mosaico

Mosaico
Nem todos os sentimentos que nascem 
Podem se ramificar
Meus galhos partem honestos
Na tua direção secular
E você foge avesso
Ao meu modo de te buscar...
Tudo bem
Eu posso calmamente observar...


Nem todas as vontades são ditas
Algumas você precisa ocultar
Não quero dor nem angústia
Nem quero sentar e esperar
Eu quero repor as estruturas
Que se destacam do nosso coração
E os tornam meros mosaicos
Tão frágeis e tão sem condição
De serem invadidos novamente
E de permitirem-se ilusão...
Quimera que arde na mente
Quisera tocar sua mão...
Nem tudo que eu falo nesse momento
É certo, é errado ou é propenso
Meu passo é contínuo
Meu gosto é virulento
Sabendo dos meus propósitos
Humanos, sadios e sedentos
Te lanço um desafio...
Me pode, me arranque, me extraia
Mas não me deixe
Como folha solta ao vento...
Salvador, 05/12/08 15:08
P.S - Você é tão parecido comigo

domingo, 13 de agosto de 2017

VIDAS DE VIDRO


Ultimamente  discussão sobre as sociedades distópicas tem chegado às telas do cinema e autores de livros importantes foram fonte de inspiração para a construção desse tipo de narrativa. Mas qual a relação disso com as formas de nos relacionarmos com o mundo por intermédio das redes sociais? Parece tão normal criar pegadas virtuais, “documentar” e disponibilizar nossa vida para todos, não é? É tão atual desabafar nas redes sociais e receber uma avalanche de julgamentos e opiniões e se deixar enredar por isso… Compartilhamos de tudo, e se há emissor e receptor, a mensagem está estabelecida? Mas voltemos ao que era ficção… coisa de cinema!
O cinema , segundo Morin (2014, p. 251), tem um importante papel nas reflexões humanas, já que : “Por ser o espelho antropológico, o cinema reflete obrigatoriamente as realidades práticas e imaginárias, e também as necessidades, a comunicação e os problemas da individualidade humana de seu século” .  E, neste contexto, a obra de ficção “é uma pilha radioativa de projeções-identificações” (2014, p. 122) sobre a sociedade do futuro. Concordo!
Se você for ler e ver os autores e filmes citados nesse parágrafo, vai ter contato com os interessantes e prenomptórios Zamiantine (Nós)Atwood A história de uma serva), Burgess (Laranja mecânica), Huxley (Admirável mundo novo), Orwell (1984), Farenhit 451 (Bradbury) e Golding (Senhor das moscas), dentre outros. Era ficção e tá cada dia mais reality… Black mirror que o diga!
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Fig 1 – Controle
Em O doador de memórias  (que nem de longe fez o sucesso de Divergente ou Jogos vorazes) temos uma cidade do futuro onde as pessoas são destinadas às suas funções a sociedade e não devem demonstrar sentimentos. Como no Grande irmão de Orwell, a vigilância que os cidadãos exercem uns sobre os outros e a presença de uma sociedade autoritária e politicamente  elitista são marcas bem presentes e definidas. A mão de ferro do sistema de governo, numa sociedade teoricamente melhor não passa de uma máscara para a perpetuação do poder de seus dirigentes. Mas e se o governo não fosse ajudado por esses cidadãos? Se eles não exercessem esse papel fiscalizador?
É bem interessante o paralelo que se estabelece entre as obras de Owrwell e Huxley citadas e as duas formas de distopia estão presentes em regimes socialistas e capitalistas atuais. Então, as distopias me parecem muito mais reais do que ficcionais, não é? Tempos modernos… ou pós… ou tardo… Enfim, são tantas teorias!
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Fig, 2 – Paradoxo
Mas estamos mesmo galopando para que as antigas “ficções” estejam cada vez mais reais e palpáveis em nossas vidas? Primeiramente é preciso o entendimento que a vigilância sempre existiu e não tem prazo de validade para expirar. Da moralidade, controlada pelas religiões até a médica, que já em tempos imemoriais segregavam-se os leprosos, por exemplo.. sempre houve controle, poder e códigos a ditar as regras sociais e culturais da humanidade.

A vigilância médica das doenças e dos contágios é aí solidária de toda uma série de outros controles: militar sobre os desertores, fiscal sobre as mercadorias, administrativo sobre os remédios, as rações, os desaparecimentos, as curas, as mortes, as simulações. Donde a necessidade de distribuir e dividir o espaço com rigor. (FOUCAULT, 1987, p. 170)

Só que agora, com as redes sociais e a possibilidade de postar em diferentes meios instantaneamente, tudo se reconfigura, pois o alcance de nossa “palavras” se expande. Até os limites dos confins da internet. E ninguém sabe em que buraco negro termina esse “lugar”.
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Fig, 3 – Sem internet
E se nos vigiamos e  satisfazemos o nosso voyerismo cibernético nas relações que estabelecemos pelas diversas rede sociais, não estamos muito distantes da visibilidade panóptica defendida por Foucault, onde:
O Panóptico (…) tem seu principio não tanto numa pessoa como numa certa distribuição concertada dos corpos, das superfícies, das luzes, dos olhares; numa aparelhagem cujos mecanismos internos, produzem a relação na qual se encontram presos os indivíduos (…) Pouco importa, consequentemente, quem exerce o poder. Um indivíduo qualquer, quase tomado ao acaso, pode fazer funcionar a máquina: na falta do director, sua família, os que o cercam, seus amigos, suas visitas, até seus criados (…) Quanto mais numerosos esses observadores anónimos e passageiros, tanto mais aumentam para o prisioneiro o risco de ser surpreendido e a consciência inquieta de ser observado.   (FOUCAULT, 1997, P. 167)  
Fig. 4 – Nuvem
       Somos todos visíveis e controláveis nas nossas publicações pelo olhar de nossos pares. Nossa casa é de vidro, como Atwood preconizou. A espontaneidade não cabe no selfie posado, pensado com uma finalidade pre-concebida e os nossos mecanismos de sujeição se ampliam nesse processo contemporâneo e dicotômico onde vigiar é uma ferramente de evitamento ao punir.
Mas nós queremos aparecer! Há quem dê bom dia a todos os seus contatos do zap num click só! Isso me aprece tão desnecessário. Mas tem uma coisa que já não ocorre mais, pelo menos, os e-mails de foward! Viva!
E quantos se inscrevem no programa Big Brtother anualmente para serem objeto de observação? Dá para virar celebridade assim também. Mas o prazer dos que assistem pode estar justamente em “vigiar todas as dependências onde se quer manter o domínio e o controle. (FOUCAULT, 1997, P. 170)  Porque desejamos controlar a vida e a moralidade alheia como sempre! Apontar o dedo para o certo e errado! Jogar na fogueira os que são diferentes ideologicamente é tão fácil atualmente! E vamos combinar que uma inocente espiadinha ou uma comentadinha, não mata ninguém… Será? Não?
São os devidos indivíduos
Com seus limites abolidos
Seus estares perdidos
Em rotineiros palcos aborridos
Duvido?
Decido!
Divido?
Quem manda compartilhar  uma vida de vidro?
Guel Pinna

13.08.107, 21:54h
REFERÊNCIAS
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. O nascimento da prisão. Tradução Raquel Ramalhete. 20. ed. Petrópolis: Vozes, 1987.

Vamos nos perdoar?

Minha mensagem de dia dos Pais sempre foi para o meu avô Eliseu, homem íntegro, forte e batalhador que criou a mim e a minha irmã e mais nove filhos com exemplos de honestidade e valores morais importantes.
Painho, que após sua jornada na Terra partiu para o plano maior há alguns anos, certamente está tão próximo de nós que me emociona muito lembrar dele nos seus muitos momentos ao nosso lado.
Lembro de sua extraordinária inteligência e autodidatismo, pois ele sabia fazer um poço artesiano, coisa que nunca vi outra pessoa fazer, com extrema precisão. Sabia de eletricidade, hidráulica, colheita, culinária, geologia e política. Dentre outros saberes que me foram sendo compartilhados ao longo da vida.
Ele trabalhou por muitos anos com técnico em química numa fábrica de detergentes e não gostava de perfumes. Tinha uma fórmula de uma borracha que segundo ele, não se desgastaria nunca. Gostava de pescar e eu nunca vou esquecer dele dividindo as tilápias entre seus amigos que participavam das pescarias.
Saim em grupos e na volta ele, poe ser o mais velho e mais justo, era o responsável pela divisão. Uma balança resolveria, mas não usava-se balança. Os peixes tinham diferentes tamanhos e ele fazia lotes que não poderiam ficar exatamente iguais. E ele, por ser o que dividiu, seria o último a pegar seus peixes. O monte dos nossos peixes era sempre o que tinha maior quantidade de peixes pequenos. Mas ele me disse que ele jamais poderia pegar o primeiro lote, afinal, todos eram equitativos e não se deve nunca tirar vantagem dos outros.
Eu adorava mexer na sua coleção de moedas e de pedras semipreciosas, que ficavam numa caixa. Aprendi a jogar baralho e dominó muito cedo com ele e eu sempre tive muita sorte nesses jogos, mas nunca ganhava dele no dominó. Ele sempre fundava ligas de dominó e teve algumas perdas com as cartas, mas isso eu não lembro direito, só ouço falar.
Ele não gostava de café e tomava muto suco de maracujá, hábito que adquiri também. Fazia uma comidas apimentadas, que hoje sei que são receitas árabes. Cozinhava muto bem e até linguiça ele sabia fazer!
Gostava de tomar seus drinks quando saía com seus amigos, mas nunca vi uma briga, uma altercação ou uma mudança de comportamento por isso. Também não bebia em casa e na nossa feira nunca foi incluída nenhuma garrafa de bebida.
Painho, já aposentado, voltou a morar em Ibimirim (PE) onde tínhamos duas casas que um dia tinha sido um hotel administrado pela minha bisavó, D. Maria Pereira. Eu não a conheci, mas era a matriarca da família, muito a frente das mulheres do seu tempo.
Sonho comprar essas casa e transformá-las um dia numa ONG em homenagem a Painho e Mainha, Rosa Gomes.
Mainha (Rosa Gomes) e minha irma e primos.
Mainha é uma mulher extraordinária, que também está no plano superior há alguns anos. Que saudade de vocês!
São tantas boas lembrança desse casal maravilhoso que me deu chão, teto, ar, alimento, norte e especialmente muito, muito amor! Porque as pessoas acham que a felicidade vem das coisas que podemos comprar e não vem. A felicidade vem do colo que Mainha me dava enquanto me fazia cafuné até eu dormir. Dos momentos em que olhava meus cadernos para me dizer "Muito bem, continue estudando!" Dos momentos em que nos colocava com as mãos postas para agradecer Deus pelas coisas da vida. Dos exemplos diários de resiliência e abnegação.
A felicidade vem dos momentos simples e cotidianos em que sentávamos a mesa para almoçar e pedíamos o "costume" a Painho.
O "costume" era uma espécie de pagamento simbólico por não ter almoçado coma gente. Se comesse depois por algum motivo, tinha que dar um pedaço da carne dele. Hoje analiso isso e vejo assim, na época não sei se sabia que era uma tipo de cobrança nossa.
Claro que todos nós temos defeitos e qualidades e eu já escrevi sobre o tipo de educação tradicional que tive e os impactos disso na minha formação. Positivos, claro, mas a gente acha que poderia ter mais liberdade e tal.
Painho e Mainha são para sempre meus heróis e devo a eles tudo que me tornei, no entanto eles fizeram a parte deles e não estão mais aqui.
Aí eu tomei uma decisão hoje que na verdade é um desafio. Meu pai e minha mãe se separaram quando eu nem tinha dois anos e minha mãe, vivendo toda a dor e problemática de se tornar uma mulher sem marido nos anos 70, decidiu que as melhores pessoas do mundo para cuidarem de nós eram os seus pais.
Eu levei décadas cobrando dela que não era pra ter sido assim. Meu pai se afastou, apareceu malmente umas dez vezes na vida para pegar os nossos atestados de escolaridade que eu acho que o Imposto de Renda dele exigia. Hoje é o nosso primeiro dia dos pais juntos. Eu tenho 47 anos e já joguei na cara dele o seu descompromisso injustificável conosco desde sempre.
Já disse mais uma vez, com muita dor na alma: "Você me deve 47 de afeto e 24 anos de pensão." Acho que deve mesmo, pois pensão alimentícia tá na lei e como eu era universitária, meu direito era ate 24 anos. Mas não podemos mudar o passado.
É muito difícil perdoar... Os pais, os ex-maridos, os filhos, os irmãos, os parentes, os ex-amigos e principalmente a nós mesmos. Mas se não advém uma catarse de tudo isso que somos convocados a aprender a lidar durante a escola da vida, a gente não avança. E eu estou aqui para avançar!
Nesse dia dos pais, eu gostaria de dizer que não existe ex-pais e ex-filhos. Família é pra sempre, mesmo que não seja a família do comercial de margarina. E tivemos por algum motivo que ser reunidos por laços que para alguns não dizem muito, mas para mim tem grande significação e importância.
Nesse dia dos pais eu quero um momento de felicidade com quem esteve do meu lado, como minha mãe, meus filhos, minhas irmãs, minhas tias e meus amigos. Não dá pra juntar todo mundo, pois cada um tem também que estar com seus núcleos familiares. Então, hoje todo meu núcleo familiar presente aqui vai se reunir.
Vamos comer uma deliciosa comida baiana e minha mãe e meu pai fizeram a moqueca. Minhas irmãs fizeram o vatapá e outras iguarias. Eu fiz uma torta de limão e meu filho e meu sobrinho vão lavar os pratos.
Não vai ser ao meio dia, como eu gosto, porque atrasamos um pouco. Aliás, eu tinha um problema muito sério com atraso. Mas a partir de hoje, eu não quero mais saber do tempo me oprimindo e me sinalizando o passado. Eu quero saber que posso ter 20, 30, 40 ou até 50 anos pela frente e é nisso que vou concentrar minhas energias. No que ainda posso melhorar, recuperar, promover, compartilhar e amar.
Sabe o "antes tarde do que nunca"? Pois é!
E pra gente que tem aqui uns perrengues com o pai, eu sinto que ninguém é perfeito. Quero aceitá-lo como ele é. Não posso mudá-lo. Nem culpá-lo, porque a culpa não leva a nenhum lugar feliz.
Eu posso perdoá-lo, tentar compreendê-lo, respeitá-lo e amá-lo. Por que não? E se isso é difícil, por toda ausência e sentimentos que ainda não estão totalmente resolvidos, eu digo que não é impossíevl! Na verdade é desafiador! Talvez, o maior desafio da minha vida... Talvez!
13.08.17 12:59h

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Gota a gota

Se eu não sofrer agora
E sangrar, continuamente
Gota a gota, lentamente
Castrarei
Internamente
Tudo que restar
Da gente...
É tão frio
Esse meu sangue quente
É tão raso
Esse sentimento aparente
Que de fiel
Me torno descrente
De imortal
Me torno vivente...
E de predadora
Me torno, docemente
No alvo fácil
Pro teu poder aparente...
De dissipar, vorazmente
Um sentimento crescente
Me diga
Simplesmente
O que você não sente?
GUEL PINNA em 17/03/2008

quinta-feira, 20 de julho de 2017

DO CAOS A APPLE: O CONHECIMENTO NÃO É MAIS PECADO

Para estas interrogações: "Revolução e mídias sociais? Quem faz a revolução? Sujeitos ou ferramentas? Guerrilhas cibernéticas?" (LEMOS, 2017) novos questionamentos surgem.

Não é uma questão de ferramenta apenas, no entanto sem elas, como os sujeitos criaram todos os novos arranjos sócio-interativos?

Mas e esses sujeitos, caso a internet acabasse hoje, como ficariam? É possível viver sem as comodidades e possibilidades de interação, compartilhamento e reconfiguração em que mergulhamos?

E é possível que um dia, quando não mais estejamos lutando por dinheiro e poder, irmanados pelo conhecimento, possamos realmente promover uma grande revolução. Afinal, com todos os avanços, não desapegamos das necessidades egóicas que nos fazem romper com nossa natureza sutil. Tudo nos separa: classes sociais, religião, localização geográfica, etnias, gênero, cultura, política, saberes, ideologias... Mas hoje temos algo que pode nos congregar quase que instantaneamente. Quebrando todas as barreiras que construímos ao longo dos séculos. Será que estamos preparados para essa transição e transformação? E isso interessa?


Não quero provar nada pra ninguém, pois certezas e verdades nunca foram o meu forte. Mas existe uma intencionalidade. Pois o objetivo sempre foi contribuir para o conhecimento e não apenas trazer ou replicar mais informação. Já que:

A informação é cumulativa e o conhecimento é seletivo. Há pessoas que dizem que navegam na internet e não é verdade. Uma parte não navega, uma parte naufraga. Porque pra você navegar você tem que ter clareza para onde você vai. [...] E há muita gente que é soterrada por muita informação de muitas fontes mas não as seleciona. [...] Conhecimento é inesquecível. Eu nunca fiz prova sem consulta. [...] Eu jamais perguntaria numa avaliação o que estava escrito no livro. Se já tava escrito, o que me importava que eu alguém dissesse o que já estava escrito? O que eu perguntava era a conexão daquilo com a vida da pessoa. E aí é claro que ela podia consultar o outro. O conhecimento e a ciência se produzem coletivamente. (CORTELLA, 2017)



Agora que saímos da caverna de Platão, entramos nela "para sempre forever " novamente? Será que agora estamos na complexidade que interpenetra o mundo sensível e o mundo inteligível ao mesmo tempo, sem fissuras?
As coletividades cognitivas se auto-organizam, se mantém e se transformam através do envolvimento permanente dos indivíduos que as compõem. Mas estas coletividades não são constituídas apenas por seres humanos. Nós vimos que as técnicas de comunicação e de processamento das representações também desempenham, nelas, um papel igualmente essencial. É preciso ainda ampliar as coletividades cognitivas às outras  técnicas, e mesmo a todos os elementos do universo físico que as ações humanas implicam”. (LEVY, 1995,  p.144)
Discutirei ecossistemas cognitivos apropriadamente depois e me predisponho a explorar os tipos de relações no âmbito dos nichos e fazendo o contraponto entre os fatores bióticos (nós) e os abióticos (ferramentas, internet, etc). Só estou estudando cibercultura há poucos meses e não dá pra aprofundar ainda. Mas esse "espalhamento" de coisas aqui no blog me ajuda a organizar o pensamento. Porque convenhamos que é muita informação! Se eu só lesse Levy, já teria muita bala pra disparar. Mas o objetivo não só esse. 

Eu acredito na "educação permanente", na atualização do conhecimento, na "alegria de aprender" e na "neocultura", pois:

Nul doute qiue dans l/histoire de Ia formation Ia période ou Pinstruction était concentrée sur Ia jeunesise será consideirée comme 'paléoculturelle'. L'ère de Ia 'néoculture' commence à partir du
moment ou toutes les formes. d'instiuiction et de culture peuvent être dispensées à tous les hommes et à tous les ages. ARAMAND, apud ROCHA, 2017, p. 46)

A presente geração é sem dúvida vítima da carência de ajustamento das concepções de educação, o que leva muitos dos alunos a perder, ou mesmo a nunca adquirir, a alegria de aprender. [...] Assim, como consequência do progresso científico e tecnológico, processam-se, a ritmo acelerado, transformações sociais, económicas, políticas, culturais e morais que exigem um constante ajustamento de coneqpções e de atitudes, o qual se realizará tanto mais facilmente quanto mais amadurecida for a compreensão que o indivíduo tiver de si mesmo e do Mundo que o rodeia. Se sempre foi reconhecido que só ao longo de toda a vida será possível a apropriação de uma sólida formação geral, as condições da sociedade moderna impõem que se vá além e se institua a educação permanente com carácter sistemático. (ROCHA, 2017, p. 47)
                     
Que bom que Julio Plaza (2017, p. 40) me compreende, já que : "A apropriação pelo artista de esquemas representacionais de cunho científico constitui-se num recurso lícito e necessário, de caráter intertextual, que, transposto para uma nova ordem (mesmo que seja desordem), servirá ao artista para pensar e elaborar as suas idéias e/ou modelos mentais." Isto porque  o próprio pensamento já é "intersemiótico", ou seja, o verbal e o não-verbal interagem nele. Estes aspectos servem para demonstrar a "capacidade tradutora do cérebro humano em relação ao tema que nos ocupa, ou seja, a colaboração entre o sensível e o inteligível. Estas capacidades interpenetram-se e traduzem- se para detonar a criação, o pensamento interior."

Por outro lado, há inúmeros signos icônicos e diagramáticos que contem traços pan-semióticos e que agem como verdadeiros princípios ordenadores espaciais e temporais que, como a Secção Áurea ou mesmo a série de Fibonacci (entre outros), foram usados em todas as artes: arquitetura, cinema, pintura, cerâmica, música, escultura, gráfica, fotografia, instalação etc... [...] Isto, porque o artista é sensível às aparências da representação científica, que é o lugar onde se instala a dimensão estética da ciência. Assim como existe na ciência uma estética do simples (os retângulos áureos de Gustav Fechner, por ex.), existe também uma estética do complexo (as metáforas entre um chip e diagramas utilizados nas diversas culturas que sugerem a relação analógica e metafórica que procura assimilar o menos ao mais familiar, o desconhecido ao conhecido), como íntima conexão entre imagens visuais e poéticas e o pensamento sensível e produtivo de outro. (PLAZA, 2017, p. 42)

Então vamos especular mais um pouco, já que o conhecimento, classificado em empírico, filosófico, religioso e científico realizam cruzamentos "intertextuais" entre a ciência e  a arte. Não posso seguir um fluxo só, mas correlacionar diferentes aspectos. Aqui o eixo da discussão é o conhecimento, mas contextualizado na prática e na sociedade, daí a necessidade trazer um pouco de empirismo.

Nosso planeta tem cerca de 7,6 bilhões de pessoas, sendo que o Facebook, se fosse um país, seria somente o mais populoso do mundo, seguido pela China e a Índia. A China inclusive tem seu Reren e toda uma gama de xing ling midiático! Quem cria copia, eu diria!

E em Cuba? Como se dá a relação com o conhecimento e a internet? Bom, lá não se bloqueia tudo como se possa imaginar, em compensação, a internet é mega-lenta e um cartão para conexão é muito extorsivo para o salário que as pessoas recebem. Então, as limitações e controles nem sempre são exercidas  de forma direta, mesmo em regimes totalitários... E pensar que a uma revolução com base nos pressupostos marxistas-leninistas puseram Fidel lá, para sair só depois de morto e passar sua capitania hereditária para o irmão. Pobre Cuba de gente letrada e boa saúde, porém privada da mais importante premissa do cidadão: a liberdade!  Será que a internet quando melhorar por lá promoverá uma nova revolução? Vamos esperar pra ver porque a Google já está na área para prover a velocidade!

Mas quais são as características de uma revolução e desde quando ela acontece na história da humanidade?  Remonta ao Caos e a Gênese e esbarram em nós com a cultura digital? Vamos ver:
A primeira revolução humana, admitindo Deus, a criação e a Bíblia, seria a expulsão do Jardim do Éden por uma espécie de desobediência civil. O paraíso era perfeito, lindo, maravilhoso, mas lá havia uma árvore, bem no centro,  com lindos frutos que não deveria ser tocada. E havia também a tentação, então podemos supor que o "mundo" nunca foi  livre da maldade e das diferenças, já que Eva já nasce como "apêndice " de Adão.
E o que dizer de pessoas inocentes convivendo com um ser que os tentou? Por si só já é bem cruel, não é?  Mas quem criou a discórdia? Na mitologia grega, seria a personificação de Éris e no catolicismo, vocês sabem quem.
E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Gênesis 2:9
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Fig. 1 - Deuses e livros sagrados. By Carlos Ruas.

As metáforas e os mitos dão muita margem a interpretação. Vamos explorá-las! Aliás, vamos brincar com elas, porque a seriedade das coisas não me atrai todos os dias.
Por que as mulheres vivem um regime onde a igualdade de direitos ainda não é plena? Isso tem a ver com dominação, poder, política e a base de tudo que estruturou o pensamento da história antiga: a religião.

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Fig. 2 - O "criador" da Apple. By  Bill Watterson

Existe maçã no texto bíblico? Nada!  Quem criou uma das maças atuais, a Apple foi o Steve Jobs e seus colegas!!! Deus criou a baleia no quinto dia, daí elas serem tão inteligentes. Aí vem alguém e cria a Baleia Azul... Existe uma certa concorrência entre as pessoas que criam, sabe? E foram criados no Brasil a Baleia Rosa e a Capivara Amarela, justamente para combater o terrível jogo de suicídio!
O conhecimento é algo realmente muito "perigoso" e em plena era da inteligência cognitiva coletiva, ninguém mais conseguiria nos controlar. Quer dizer, a  Google ainda pode, dentre outras mega-empresas.

Mas ainda surgirá algo maior, mais forte e mais abrangente? Certamente. Aguardem!Lembremos que os simoníacos estão em toda parte e os robôs inteligentes  estão cada vez mais próximos de nós! 

E quem sabe  ainda possamos ser finalmente contactados com alguma inteligência extra-terrestre! Absurdo? Só porque a ciência não provou ainda!? Pois é meu caro, já tivemos a época da terra plana e do sol girando ao nosso redor. Se Galileu não fosse quem foi... Enfim, cada época tem seu Giordano Bruno, seus paradigmas e sua fogueira particular. Ok, tou meio Nostradamus, não podemos esquecer que escrevo ficção científica, portanto,  deixemos as profecias se aproximarem também. Por que não?

Mas, numa situação em que a ciência está à procura de novos modelos de interpretação da complexidade universal regida pelo "princípio de indeterminação" (Heisemberg), numa situação, onde tanto a filosofia quanto a própria arte estão em crise, é porque os modelos de representação e determinação do conhecimento e sensibilidade não são mais adequados. De fato, como os fenômenos para os cientistas ou são complexos demais, ou estão fora do alcance dos instrumentos e tecnologias, não podem ser codificados. Parece que é aqui que a sistematicidade harmoniosa e teleonômica da omniciência clássica (o paradigma newtoniano que procura as regras imutáveis do universo - Prigogine, 1979) entra em entropia, abrindo-se caminho para a ambigüidade, o caos, a desordem, a indeterminação, a confusão e também para a interpretação estética. (PLAZA, 2017, p. 40)

Não pense que andei vendo muito  Black Mirror  entre outras coisas que realmente li, ouvi e vi. Não se trata nunca disso. Talvez eu seja panpsiquista e acredite no anima mundi e também no unus mundus, formulando que a internet nos proporciona essa conexão defendida desde Platão a Jung. Talvez eu pratique hipnopedia de vem quando também!

Talvez eu esteja tendo uma concepção diferente e acredite fortemente que a educação de adultos se dá de forma diferente e rejeite as caixas em que se armazenam o conhecimento e as misture todas para produzir um "complexo vitamínico" do conhecimento.

E á claro que sinto uma " simbiose entre o abstrato e o concreto" permitindo que as "facetas científicas, profissionais, humanas, sociais"  e tecnológicas sejam a base para uma aprendizagem significativa, que  "exige instrutores muito dotados e bem preparados." (ROCHA, 2017, p. 55) 

Quando se deseja comer da árvore do conhecimento, a saciedade nem sempre vem! Mas que bom que isso não é mais considerado pecado. Aliás, não acredito mais em pecado. Nem em inferno... Dentre outras coisas. Analise a tirinha abaixo. Qual a subliminar?

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Fig. 3 - Fruto proibido 9 - By Carlos Ruas.

Pensando bem, e saindo da abstração para a realidade brasieleira, sabemos que a religião não da conta de tudo!  No entanto, em se considerando o Congresso, um grupo religioso está presente em uma bancada inteira no Congresso, possui canais midíaticos próprios, move somas sólidas e estende seus tentáculos em várias direções. Tanta preocupação com o céu e não deixa de fazer logo a colheita por aqui, não é?

E são muitas as religiões e seus seguidores. Para algumas coisas, fãs são mais "fiéis" que "crentes".

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Fig. 4 - Selfie dos heróis. By Pedro Leite.

E a fé cega leva a mais problemas, para além do conhecimento! Lembremos também que os movimentos terroristas estão presentes em muitas religiões e  não só de Al-Qaeda, Boko Haran, Estado Islâmico, Talibã, ETA, FARC e Ira vive o nosso mundinho pós-moderno. 

Novos deuses surgiram... Criando universos próprios e nos fazendo entrar nos seus mundos de tal forma, que não queremos deixar esses paraísos artificiais. Eu mesma sou fã do Universo Marvel e DC Comics. Recomendo verem a Mulher Maravilha! Tá massa! Para além de tudo isso, fica a questão: Eram os deuses astronautas?

Fim dos tempos? Desde sempre esse tema nos incomoda. Motivou Bosch a traduzir tudo isso em imagem e levou  Alighieri a penetrar seus nove círculos. Cada um na sua genialidade.

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Fig. 5 - O Jardim das delícias terrenas By Bosch. (1504)
A inteligência coletiva cognitiva vai requerer toda uma educação e novas aptidões e competências. Não digo que será o paraíso na Terra ou o fim da diferença entre ricos e pobres, mas faremos progressos definitivos, como já aconteceu em outras eras na história da humanidade. (LEVY, 2015)
Podemos considerar a revolução tecnológica uma das mais significativas por  seu potencial de agregação, inclusão e participação. Isso pressupõe democracia, mesmo que guardadas as reais proporções, saibamos que isso é uma utopia.

Então, se o simples bater de asas de uma borboleta pode mudar a natureza e causar impactos do outro lado do mundo, o que dizer da internet e dos sujeitos ímpares que a utilizam, somando-se, multiplicando- se e dividindo-se? Numa palavra, podemos falar de uma certa onipresença.
Mas depois de pensar tudo isso, eu quero ir pro panteão e também criar um novo termo, tentando aprofundá-lo oportunamente. Vivemos a era de uma  "polipresença" singular e plural, estando em vários lugares ao mesmo tempo por meio dos objetos que medeiam nossa corporiedade e limitações físicas. Mas também, não deixa de ser uma mimesis, pois não somos exatamente iguais em todos os contextos. E existe coisa mais poderosa do que sermos diferentes e miméticos com autorização dos nossos pares e da nossa sociedade? Como uma espécie de mimeopresença ou mimeopersona. É isso! A maior revolução de todas é a do nosso comportamento frente a tecnologia. Um caminho sem volta!!

Guel Pinna

19.07.17   06:24h


PS - Esse texto é para todos os tipos de leitores. Recomendo que não deixe de "ler" as imagens e  refletir sobre elas. Se conseguir compreender os vídeos, melhor ainda. O texto é  só um dos aspectos. 
Mas é um hipertexto! Você não consegue acompanhar tudo que está na subliminar sem ver o todo, consegue? Pois então! Não deixe de ver a bibliografia também. Retalhos dos autores nessa costura aí também não fazem sentido sozinhos! Isso é um estilo "transmídia"? Ainda não. Mas certamente que é um estilo.

Por outro lado, há inúmeros signos icônicos e diagramáticos que contem traços pan-semióticos e que agem como verdadeiros princípios ordenadores espaciais e temporais que, como a Secção Áurea ou mesmo a série de Fibonacci (entre outros), foram usados em todas as artes: arquitetura, cinema, pintura, cerâmica, música, escultura, gráfica, fotografia, instalação etc.. A apropriação pelo artista de esquemas representacionais de cunho científico constitui-se num recurso lícito e necessário, de caráter intertextual, que, transposto para uma nova ordem (mesmo que seja desordem), servirá ao artista para pensar e elaborar as suas idéias e/ou modelos mentais.

E se ninguém te contou, eu não quero induzir você a uma conclusão e muito menos oferecer uma resolução das coisas abordadas. Se ao menos uma interrogação surgir aí na sua cabeça, pronto, atingi meu objetivo.

Também quero que a fundamentação seja baseada em vários tipos de referências e não apenas em textos acadêmicos. Daí a recorrência a fatos históricos, movimentos, vídeos, reportagens, tirinhas.. . ARTE!  E "a arte não se doa ao mundo como informação semântica, mas como informação estética." (PLAZA, 1998, p. 40

Mas como eu agora (20.07) resolvi explorar didaticamente este post, vamos lá! Avaliação da aprendizagem pra conferir se você aprendeu com isto aqui. Em parênteses estão algumas das disciplinas em que a pergunta se insere.

Exercícios


Antes de ler o texto, aproprie-se das tirinhas. Leia  todas e a partir delas descreva quais os temas abordados e o que você sabe sobre eles. (Língua Portuguesa, Semiótica)
1.    O que você entende por revolução? Cite as que você conhece e o que as motivou, em que época aconteceram, como foram difundidas entre a população e quais seus líderes e suas ideologias. (História, Sociologia)

2.    Em a República de  Platão, temos o seguinte diálogo: (Filosofia, Linguagem, Comunicação)
    "Sócrates — Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?          
Glauco — É bem possível.                                                                                        
Sócrates — E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?
Glauco — Sim, por Zeus!
Sócrates — Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados? "

A partir da leitura do texto acima  e após assistir o vídeo linkado, estabeleça relação com  entre a alegoria da caverna e afirmação de Levy  em que: "Nós vimos que as técnicas de comunicação e de processamento das representações também desempenham, nelas, um papel igualmente essencial."

3.    Analise a seguinte premissa: "Nosso planeta tem cerca de 7,6 bilhões de pessoas, sendo que o Facebook, se fosse um país, seria somente o mais populoso do mundo, seguido pela China e a Índia." (Cibercultura, História, Geografia, Sociologia)
 Quais sãos as características de um país que podem ser também encontradas na rede social Facebook? Elabore uma resposta dissertativa citando quem seriam os líderes, origem da população, que línguas seriam faladas, que tipo de cultura existiria, moeda, regime de poder, densidade demográfica, dentre outros elementos. (Cibercultura, História, Geografia, Sociologia)

4.    Analise a tirinha 1, "Deuses e mitos sagrados" e concorde ou discorde na afirmação de que um livro sagrado comprova a existência de um deus. Existe um único deus para você? Por que? (Teologia, Filosofia, Sociologia, Linguagem)

5.    Na tirinha 3 , "Fruto proibido", são retratados 5 figuras ilustres do conheciemento em diversas áreas e  que comeram a maçã. Você é capaz de reconhecer quem são e quais suas teorias? Qual sua opinião sobre a tirinha?

6.    Comente o uso das redes sociais a partir da tirinha 4, a "selfie dos heróis". (Cibercultura)

7.    O que esse texto diz sobre o conhecimento? Sublinhe os parágrafos que abordam essa temática e construa seu entendimento do que é  conhecimento. (Epistemologia)

8.    Realize uma crítica aos temas que você achou polêmicos no texto. Pesquise na internet os termos desconhecidos ou pouco familiares para você. (Linguagem)

9.    O que você pensa sobre os regime socialista de Cuba e da China? (Sociologia, Política, História) O que pensa sobre eles?

10.O termo "guerrilhas cibernéticas" foi explorado no texto? Como você contribuiria para o conhecimento para este tema? (Cibercultura)

11.Analise a imagem de Bosch (figura 5) e após ver os 3 vídeos e 2 textos linkados, descreva que sensações lhe trouxeram. A que escola pictórica ela pertence e qual sua mensagem? O que o rei Felipe II buscava? Qual a diferença entre Renascimento e Classicismo? Organize esses elementos e disserte sobre o papel da religião e da arte no conhecimento. (História da arte, Semiótica, Teologia, Filosofia, Epistemologia)

12.Para você, qual a maior revolução que já existiu ou existe? Por que?



13.Elabore uma questão e a responda com base no texto.
Pronto, feita essa avaliação transdisciplinar, estamos prontos para discutir o que foi possível aprender com o texto , realizar uma auto-avaliação e fazer novas conexões.

REFERÊNCIAS

LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. tradução. Carlos Irineu da Costa, 2º ed., Editora 34, Rio de
Janeiro, 1995.

PLAZA, J. Arte/Ciência: uma consciência. Disponível em: Acesso em: 20 jul. 2017.


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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Confissão


Eu preciso dizer que te admiro
Que te percebo constantemente
Mas eu sou sol,
Somente...
Apenas,
Semente...
Sóbria,
Latente...

Eu preciso dizer que tenho calma
Pra pescar tua alma
E te suster por um fio
Displicentemente...
Não é difícil
Nem impossível
Mas é um desafio
Crescente
Desprovido de cio
Descartado da mente
Intercalado por escadas
Com degraus intermitentes
A gente sobe e desce
E não sai do lugar
A gente cai e esquece
De ir a algum lugar...

Que pena!
Eu só posso lamentar...
Infelizmente...

Eu preciso dizer que não entendo
Que mesmo te vendo
Eu não te enxergo...
Mesmo te tocando
Eu não te sinto
E mesmo buscando
Eu não te acho
Portanto, faça o que eu digo
Mas não faça o que eu faço....
Porque essa coisa insólita
Tem um preço baixo
Estou disposta a pagar
Pra apagar o teu rastro...

Salvador, 27/02/08 20:44h
GUEL PINNA

PS - Nunca mais tinha ido no Recando das Letras. Tem 58 poemas meus lá. Vou ver se organizo isso pois os poemas estão soltos aqui, no face e lá tá mais organizado.

sábado, 15 de julho de 2017

O sorriso de Machiavelli


nova-imagem

Conheci Maquiavelli num chat que discutia a bandalheira que a classe política brasileira está promovendo com assistência de um judiciário igualmente corrupto-partidário e a anuência dos fatos por um povo passivo, analfabeto politicamente e com síndrome de vira-lata.

Ele se posicionava ideologicamente de uma forma singular e em pouco tempo, os 8 usuários on line não mais tinham como debater contrariamente às suas ideias. Ele tem um jeito de dizer as coisas de forma simples, porém complexa. Sabe fazer a gente aceitar suas ideologias sem precisar se impor, como gênio que é. E me encantou sua simplicidade e até mesmo humildade, que é adornada por uma fala mansa e pausada.

Ele disse que no passado as pessoas costumavam oferecer "cavalos, armas, tecidos de ouro, pedras preciosas e outros ornamentos semelhantes" ao rei, para com isso amealhar a sua simpatia, no intuito de obter algum tipo de vantagem pessoal.  [...] "O Conhecimento das ações dos grandes homens apreendido através de   uma longa experiência das coisas modernas e uma contínua lição das antigas " mostra que apesar dos grandes avanços tecno-científicos, a natureza humana pouco evoluiu.

Atualizando para o sistema presidencialista, hoje grandes empresários oferecem propinas para financiar campanhas eleitorais em troca de lavagem de dinheiro, que vem através, por exemplo, de obras superfaturadas. E a Petrobrás, heim? Enfim, são favores em troca de favores, da mesma forma. No entanto, quem paga a conta somos nós, os cidadão, através dos altos impostos que somos  obrigados a recolher. Também sofremos com o descaso para com os serviços essenciais, que geralmente são de baixa qualidade por conta da ingerência e desvio de verbas.

Ele citou o caso do Lava Jato, criticando duramente o Juiz Moro, que com uma canetada só é capaz de derrubar quem ele quiser, visto que estamos vivendo uma "ditadura do judiciário". E isso tudo com aplausos da massa ignorante que é facilmente manipulada pelo  "arsenal midiático e especulativo", crente, pelas notícias circulantes de que até a escravidão e o extermínio dos indígenas na invasão ao Brasil no século XVI, foi a galera do PT que promoveu!

Ele também disse que um governo corrupto é o reflexo de um povo igualmente corrupto, mas JAMAIS defendeu a moral utilitária, segundo a qual “os fins justificam os meios”. Discorreu sobre  Platão, Aristóteles e Cícero, que precisam urgentemente fazer parte do conhecimento escolar, já que um povo que não entende de filosofia tende a se manter no obscurantismo e ser presa fácil da tirania política.
iluminismo
Falou do iluminismo e da Revolução Francesa. Da democracia e  liberdade humana, que parecem ser tão instituídas, na nossa sociedade em rede, mas que na verdade são muito frágeis, pois ainda não alcançamos uma cidadania plena. Mandei uma mensagem no privado e entabulamos uma conversa mais profunda, que acabou quase de manhã. Resumindo, ele me convidou para integrar seu grupo de ciberativismo e eu aceitei na hora! Ainda criticou o panorama atual, afirmando que atos pífios, porém importantes para o nosso futuro, são manipulados no Congresso e transmitidos ao vivo, como se fosse um espetáculo do Big Brother.

Ele perguntou se eu tinha visto sua peça A mandrágora em cartaz no Teatro Eurípedes, de quinta a domingo 20:00h. Falei que conhecia o texto e do poder da sátira para atingir as massas e que sinto falta de bons programas humorísticos e de um teatro mais engajado. Em determinado momento ele  disse:

Que tal irmos lá na quinta? Aí a gente se conhece, continua esse papo e depois, podemos tomar um vinho aqui em casa. Posso te fazer uma pasta ao molho pesto que você jamais esquecerá. Também fui presenteado com uns queijos artesanais que um amigo florentino me trouxe e tenho certeza que você vai adorar...
- Vc é vegetariano...
- Caminhando pro veganismo...

Só podia, né? Então não tinha ninguém pra comer o queijo que ele ganhou... Hummmm... Mas eu disse que não poderia, pois estava dando aulas à noite.

Falamos de  Dali, Bosch, Frida... Resenhamos sobre Meia noite em Paris e eu acho que agora dá pra entender porque passávamos tantas horas sem nem sentir o tempo: éramos muito parecidos! Também falamos de O senhor das moscas nesse dia.

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Machiavelli não me atraiu fisicamente pelas fotos que vi no seu Face imediatamente... Ele é muito delgado, alto... Mas depois que passamos pra chamada de vídeo, percebi que ele tem um certo charme eloquente... Mesmo assim, com todo seu aporte epistemológico,  não rola... Poderemos ser amigos, afinal, nem todas as relações entre héteros tem que passar pela cama. Mas é que ir na casa da pessoa e tomar vinho, já subtende uma intimidade. E olha que só conversamos uma vez...Tudo bem, foi por sete horas seguidas! Nesse dia não dormimos! E ele disse que eu pareço com uma pintura de Modigliani... Me mandou Nú coche. Discutimos nudes, sexting e outras vibes... Sempre assim, no nível das ideias...

Ele é um ariano típico, um cara com energia, altruísmo e idealismo. Já eu sou aquariana, livre, inquieta e até certo ponto engajada. Só sei que ainda discutimos mais sobre sua comédia e como o humor pode levar as pessoas a refletirem criticamente.

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Quando se fala em politica os brasileiros torcem a cara e dizem "Eu odeio politica"... Isso é muito complicado, pois o desconhecimento faz com que os cidadãos não exigam seus direitos, não se mobilizem e nem conheçam o seu poder e valor.

Convidei ele pra ver um vídeo produzido pelos meus colegas da Rede AT  e que atualmente integram a mostra Kurumim, em cartaz até dia 16 lá no Palacete das Artes. Como ele também não podia eu enviei logo o vídeo , do Cabloco Marcellinoativista dos anos 30 da causa indígena e morto numa emboscada em Olivença.
Começamos a falar da causa indígena e seus problemas com apropriação indevida de terras, situação de penúria e dificuldades imensas de vencer o etnocentrimo ainda vigente.

Estávamos no Skype e já conversando há cerca de 20 dias sem conseguirmos agenda pro encontro no real. Captei um brilho no seu olhar quando falei que estou atualizando e fazendo um roteiro para Medéia, cujos poderes mágicos do passado agora se transmutam no seu poder exercido nas mídias sociais. Daí surgiu a minha proposta:

- E se a gente oferecer uma oficina de teatro pra uma comunidade carente  com o objetivo de despertá-los para uma visão crítica e reflexiva do mundo por meio da arte? Podemos construir o texto colaborativamente e depois ir apresentar nas escolas públicas. Dar voz e vez para suas experiências valorizando seus saberes... Assim, estaremos fomentando também a formação de platéia... Se elas não podem ir ao teatro pelos seus caros ingressos, poucas peças para o público adolescente e elitização, o teatro  irá até elas!  Dentre outras coisas, né?
- Excelente sua ideia!!! Ando meio atribulado com minhas atividades, mas  vamos sim escrever esse projeto! Será nosso primeiro fruto juntos para a sociedade... Tenho até uma escola na comunidade de Pau da Lima que vai acolher nosso projeto de braços abertos: a Escola Jesus Cristo, na Mansão do Caminho...
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Lindinete Pereira encena Casa de Bonecas na Escola Jesus Cristo. Foto by: Guel Pinna

Conversamos mais algumas horas! É interessante que não tínhamos tempo para nos vermos pessoalmente, dados os compromissos de trabalho e estudos, mas nos víamos todos os dias na madrugada pelo Zap, principalmente.
Curtíamos e debatíamos nos grupos, compartilhávamos no Face e aumentávamos cada dia mais a intimidade e sensação que éramos sim, grandes e inseparáveis amigos... Confesso que minha admiração, respeito e estima cresceram exponencialmente. Um misto de afetividade e desejo de realização entraram por todos os meus poros. Escrevi celeremente o projeto com base nas nossas conversas.

Até que enviei  música Mais ninguém, com a Mallu Magalhães... E ele mandou de volta Até o dia clarear (Marcello Camelo) na minha timeline acrescentando "Bem assim".

"Eu sei lá se eu vir você mais tarde
Eu vou até o dia clarear
Sei não, se eu vir você mais tarde
Eu vou até o dia clarear
Vou até o dia clarear"

Nos conectamos... Ele ouvia Rubel. Ficamos meio estáticos, nos olhando apenas. Já tínhamos falado tanto... Agora era apenas o olhar, o sorriso... Ah, existe um mundo desconhecido em cada ser. Mas no sorriso de Machiavelli reside um mistério. E isso me encanta.

By Guel Pinna