sexta-feira, 24 de julho de 2015

O dia D



Parte I

Acordei. Achei que a chuva estava deixando a luminosidade um tanto estranha, mas isso não era tão incomum. Consultei o celular e eram 7h da manhã, como sempre. Achei o ar opressivo e pesado. Isso era diferente pra mim. Fui me arrastando até o banheiro. Abri o chuveiro e não saiu água. Quase que me sujo naquela mistura de uma coisa gosmenta e escura! Vixe! Aí eu me assustei! Meu coração acelerou e eu desliguei imediatamente o chuveiro. Iria interfonar pra administração do prédio, mas ainda era cedo. Será que estavam fazendo alguma manutenção nas caixas d´água? Na pia da cozinha a mesma coisa... Eca!

Me arrumei e saí do apartamento. Elevadores parados e só as luzes de geradores funcionavam. Estranho... A garagem super escura... Peguei o carro e saí rápido. O portão eletrônico estava escancarado. Estranho...

Não vi um só carro no meu trajeto até o trabalho. De repente  a cidade parecia como nas madrugadas, quando atravessamos grandes distâncias sem muitos carros no caminho. O radio do carro também não funcionava. Mas fazia um zumbido estranho....BBXXXXSSSSS, parecendo um assovio, sei lá.

Peguei o celular. Algumas mensagens da noite anterior estavam lá. Tentei ligar pra minha mãe. Nada de sinal. Liguei pro trabalho. Não completou. Já estava sentindo um misto de medo... Aliás, os sinais de trânsito todos apagados era também estranho. Será que ocorreu um apagão?

Dirigi por uns 15 minutos sem cruzar com nenhum outro carro. Onde estavam as pessoas que trabalham nessa cidade? Será que decretaram alguma coisa e eu por não ver TV não fiquei sabendo?

Parei na frente de uma delegacia. Porque uma delegacia teria que estar funcionando. Fiquei estarrecida com o que vi. Custava-me  acreditar. Saí correndo da delegacia e entrei no hospital, no outro lado da rua. Fiquei ainda mais intrigada e confesso que comecei a achar que estava num pesadelo. E como já tenho técnicas de acordar em meio aos pesadelos, comecei a dizer pra mim mesma : "É só um sonho! Não é real. Não há o que temer! Não morremos nos sonhos!".

Entrei no carro e não fui ao trabalho. Fui na casa de minha mãe na Ladeira da Barra. Tenho uma cópia da chave. Torcendo para ela estar lá. Entrei na casa silenciosa e não encontrei ninguém.

Não havia ninguém em parte alguma... O ar ficava mais e mais opressivo. O sol, que tinha sumido totalmente, não apareceu. E sem os postes acesos, era tudo penumbra...

Estacionei na igreja de Santo Antonio, aberta, mas silenciosa e vazia. Não sabia o que fazer. Comecei a orar... Desesperadamente  pedindo que surgisse alguém pra me dizer o que estava acontecendo.

Eu estava de olhos fechados. Senti uma luz diferente e abri os olhos. Um homem negro, vestido com uma roupa laranja e com  uma estranha luminosidade na região da cabeça veio em mina direção.

E eu ali, meio sem saber se corria ou se ficava, pois aquela sua luminosidade era esquisita também. Ele sorria... E de alguma forma me passava uma profunda paz. Sentou-se ao meu lado.

Antes que eu conseguisse formular alguma pergunta me disse... Aliás, ele não disse, mas eu o ouvia dentro de minha mente... Como num filme terrivelmente rápido vi o que aconteceu... Na noite de 24 de outubro de 2017, ou seja, ontem, duas grandes potências mundiais declararam a 3ª Guerra Mundial. Eu nem sabia dessas coisas, pois não acompanho o que dizem nos canais de notícias. E creio mesmo que não era algo assim tão em vias de fatos...

Vi a retirada das pessoas importantes e das cúpulas de poder para os abrigos subterrâneos que eu nunca soube que havia no Brasil... Tudo às pressas. Vi gente sumindo no ar ao contato com as pulverizações que chegaram pelo ar. Me concentrei para ver as imagens com menor velocidade e pensei na minha família... Meus amigos... meus colegas de trabalho... Não conseguia localizá-los.

E eu? Como sobrevivi? Como contatar os demais sobreviventes?  Vi  em minha mente um tubo que tinha uma luz azulada extremamente forte. Fiquei de pé.... E senti que estava sendo sugada pelo tubo...

Fim da parte I


Guelnete Pinna     Salvdor, 24/07/15   16:30h

terça-feira, 10 de março de 2015

Yellow desire

Yellow desire

Hoje eu sinto uma vontade de ficar perto...
Sem pensar no errado e no certo
Apenas te abraçar...
E ir conduzindo os teus suspiros
Por labirintos infinitos
Que insistem em se insinuar

Hoje certamente que tenho um  brilho
Intenso e amarelo, carente de mistério
Qualquer mortal pode perceber, tocar e apalpar

Hoje eu te quero nem que seja por um minuto
Para lapidar o diamante bruto
Do meu desejo modular...

Yellow desire

Today I feel a desire to be near ...
Without thinking about wrong and right
Just hold you ...
And go driving your sighs
By endless mazes
Who insist on creep

Today certainly have a brightness
Intense and yellow, lacking in mystery
Any mortal can see, touch and feel

Today I want to if only for a minute
To polish the rough diamond
My desire modular ...
Salvador, 10/03/15     14:44h

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A Menina e a Pedra

A Menina e a Pedra

Capítulo I

Acordei em frente a Pedra. Eu estava na minha prainha em Olinda, a poucos metros de casa. Mas nada existia mais. Só a pequena faixa de terra e a enorme rocha com face meio humana que ficava dividindo o meu espaço e o mar.

Eu chorava por estar assim tão só. Longe de toda civilização que eu sabia estar atrás daquela barreira. Eu nem tentei escalar, pois a parede rochosa era lisa, e altíssima, e fechava meu pequeno lugar. Eu tinha seis anos e esse pesadelo me atormentava constantemente.

Hoje eu compreendo esse sonho como o desafio precoce que eu sempre tive de me sentir um pouco diferente. Claro que ninguém é igual a ninguém, mas eu sempre disse que não me sentia muito "daqui", sabe? E hoje sei que realmente não somos de onde nascemos... Somos de um lugar muito maior.

Eu achava que tinha superpoderes e controlava o vento. O vento sorria quando eu cantava e vi muitos redemoinhos girando as coisas do chão. Eu sempre achei que era por mim que o vento fazia isso... Eu tinha sete anos...

Eu também gostava de ir num campinho catar ovos de lagartixa. E os jogava no chão pra ver eles pularem, como se fossem de borracha. Eu não sabia que estava condenando as novas lagartixinhas que queriam nascer. Aliás, eu nunca gostei de matar nada, nem barata... Mas a gente vai crescendo e acha que pode matar todos os animais. Pra comer, pra se livrar deles... E quando eu tratei uma galinha pela primeira vez, eu achei um absurdo estar "esquartejando" um animal... Mas eu cresci num ambiente onde todos comiam carne e sempre achei natural que fosse assim... Mas isso será mesmo o natural? Com tantas outras opções de alimentos e sem nenhum fator de sobrevivência nos ameaçando, precisamos mesmo criar para matar os animais de "corte"?

A Pedra sempre esteve presente... A me separar de seres que eu comecei a retratar como "Habitantes de Orion" em telas que não sei onde andam... Sempre foram mulheres e a que eu mais gostava tinha uma cobra enrolada no pescoço... Vou repintar essa tela... Tinha uma anjo grávida...Vou refazer...

Hoje eu sei que a "menina" que eu nunca sufoquei dentro de minha "capa" de adulta é muito forte e tem uma personalidade cada vez mais peculiar. Como podemos ser adultos e resguardar dentro da gente o que tínhamos de melhor quando éramos simples e inocentes?

A menina conversou com a Pedra num dos meus roteiros mais simbólicos e complexos... E nele, a Pedra era do bem e estava também encantada e presa dentro de minha prisão... Será nossa prisão a mente? Ou será o ego? Ou mesmo o coração?

A menina que falava com o vento e fazia redemoinhos pra se divertir cresceu, aparentemente. Mas ainda chora, sofre e sente a falta de seus queridos entes... Por favor, não se escondam de mim...

Guel  Pinna

Catu, 24/07/14 21:57h

terça-feira, 15 de julho de 2014

História de amor



Nasci com esse dom
A escrita
E talvez devido a isso
Eu insista
Em grande histórias de amor
Na verdade são pequenas histórias de paixão
Mas tem nada não
Faz de conta...

Num tempo em que os poetas
Estão cada dia mais escassos
Eu lanço minha voz em qualquer espaço
E não quero saber de censuras
No entanto meu verso é leve
Como uma pluma

Talvez eu exagere um bocado
Na que sinto fervendo nas veias
Mas são tantas as teias
Quem me prendem a ilusão...
Que um sem número de vezes
Me verão falar de revezes
De emoção e de solidão
Porque me especializei nas coisas do coração...

E fosse eu a escrever minhas histórias reais, do dia a dia
Elas seriam recheadas de romantismo
Nenhum vilão aos mocinhos atrapalharia
E cada dia seria
Um impulso para mudanças
Melhorias...
No mundo, na amplidão

Meu eleito seria um ser afetuoso
Ditoso
Completamente devotado
Ao meu imenso amor
A minha irreverente afeição...

Eu seria assim, mesmo como sou
Inteira, intensa e às vezes até insensata
Mas completamente entregue
Em brasa e em alma
Nos braços do meu amor...

Guelnete Pinna Salvador, 15/07/2014 22:53h

PS - Tá... quem teve a sorte de conhecer de perto essa que vos fala sabe que um dia nunca é igual o outro porque eu odeio rotina!

Regra I


De alguém morno
Eu corro...

Já para alguém que acredita
Que me excita
Que me inspira
E transpira desejo e paixão
Eu abro espaço
Eu perco as rédeas
Eu me entrego
Sem nenhuma condição

Já chega de tantas normas e regras
De tantos cerceamentos...
Não posso e nem quero
Controlar meu coração
Eu quero é ser correspondida
E se não acontecer
Posso enfiar os pés pelas mãos
Tem problema não...
Eu pago o preço!
Eu sei que mereço
Cada grama dessa ilusão!
E eu sei que há somente
Uma tonelada de emoção!

Eu acordo cheia de ideias
Cheia de vontade
De mudar o mundo
De pescar estrelas...
De começar uma rebelião

Mas muitas vezes, por questão de precaução
Eu passo o dia fazendo de conta que sou daqui
Que estou adaptada
Mas olhe de perto, eu não tou não!

Sou de um mundo onde as órbitas
Não tem um fluxo contínuo ou direção
Onde a plena liberdade
É pura e sem interrupção...
Onde as pessoas se amam
Sem medo e sem limitação...
Mas chegando aqui, nessa Terra
É forte a contradição...
Ah, me levem de volta pra casa
Que eu não aguento mais tanta solidão!

Salvador, 14/07/14 12:04 h

Acelerar

Acelerar

Eu sei que as pessoas esperam meses
Pra dizer o que digo em minutos...

Em um dia ao meu lado
Sua vida pode mudar..

Eu sei que muitos não processam coisas
Com a mesma velocidade que eu
Mas, essa é a minha forma de ser
E eu acho que está bom como está...

Não sou melhor nem pior que ninguém
Apenas não sei esperar
Eu quero pra hoje, pra já
Porque a vida é feita de escolhas
E a gente tem que decidir o tempo todo...
Então, pra que adiar?

Se o meu mundo é mesmo assim, tão célere
Você precisa aprender a lidar
Com minha terrível capacidade
De dar prioridade
Ao que pode agregar
Amor, tesão e felicidade
São produtos que ninguém pode comprar...

Na prateleira da vida eu tenho isso tudo
Gostaria de mais alguém pra compartilhar...

Salvador, 14/07/14 11:29h

Stand by

Se você acorda
Planeja seu dia
E não inclui no seu tempo
Um espaço pra mim
Saiba que é exatamente isso que faço
Com quem não me interessa
Com quem não tenho pressa
De ver e dar um abraço...

Mesmo assim
Se alguém me liga
Me manda um e-mail
Ou uma mensagem de texto
Eu leio!
E respondo imediatamente
Não deixo ninguém de stand by...
Retorno e fico tranquila
Porque não quero
Magoar ninguém...

Aprecio quem me cultiva
Qual uma flor viva
Cheia de aromas e de histórias
E se não me falha a memória
Te disse que sou intensa...
Abri meu peito e te semeei...

Então, tens algumas horas
(E eu estou sendo paciente!!)
Pra me dizer claramente
O que quer e o que sente...

Eu como amiga sou conivente
Mas como mulher, sou decidida
Sei o que quero da vida
E não quero alimentar agora
O que pode se tornar uma ferida...

Meu desejo é que você me diga
Se vale a pena ter mais momentos
Não me envergonho do meu sentimento
E o que fazer se sou assim?

Na monta-russa das minhas emoções
Havia um lugar pros nossos corações
Serem plenos e felizes
Mas, assim como tudo na vida
Eu vou providenciar uma saída
Uma porta de emergência...

Porque se dedicar a uma só pessoa
Só pode ser uma coisa boa
Se for pleno
Se for igual...

No meu romântico estado de alma
Eu não tenho a menor calma
Para falta de atenção...

Pare o que estiver fazendo
E me dedique alguns minutos
Me dê bom dia
Me dê um tiro no pé
Se preciso for
Mas não faça de conta
Que não me quer...

Salvador, 14/07/14 10:20h

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Código Secreto

CÓDIGO SECRETO

Basicamente somos eu e você
Buscando mais autonomia, mais emoção
Nem o mundo, nem os dogmas precisam me dar autorização
Para eu fazer o que bem quero
Porque sou livre... Não tenho amarras...
Se eu posso e estou disponível
Para todas as ilusões
Bobagem seria seguir as convenções
Se fossemos uma grande equipe, tudo bem!
Faríamos greve de fome, de atitude, de percepções até
Mas cada um, é o que é
E eu respeito os seus padrões...

Guel Pinna, em 29/05/14, às 17:59h

CÓDIGO SECRETO II

Somos eu e você, basicamente
Buscando mais emoção, simplesmente
Eu tenho autonomia e não preciso de autorização
Para entrar no teu dia, te levar alegria
Te retirar dos braços da solidão
Porque sou sem amarras, livre no coração

Eu posso
Eu quero
Eu estou disponível

Para o que for possível
Cabível
Temível
Incrível...

Guel Pinna, às 18:33h... variando o tema...

CÓDIGO SECRETO III ( BOBAGEM)

Basicamente eu e você nada somos
Nem servos, nem escravos, nem donos...
Cada um teu seu valor
Seu espaço
Sua competência
Então não ultraje minha inteligência
Nem se arvore a me desafiar...
Eu posso fazer você sorrir
Eu posso fazer você chorar?
Eu posso fazer você sentir
O peso do meu verbo salutar...

BOBAGEM você achar que me controla
Eu nem dou BOLA
Será que você pode mesmo me ensinar?
Como me comportar?
Como me reportar?
Como transgredir?
Quando sair?
Quando entrar?


Agora vai ver se eu tou lá fora
Ou mesmo se eu fui embora
Deixando um perfume no ar

Agora vê se te enrola
Num tapete de prego
Até ele virar mola...

Guel Pinna, muito INSPIRADA....(kkkk) AINDA em 29/05/14, 19:03h, descobrindo que é capaz de escrever  com ironia, humor e maestria .... Meu Deus, eu sou muito HUMILDE!!!!! (gargalhadas sonoras) A MODÉSTIA MORA EM MIM!!!!!!

Essa ultima parte, do colchão de prego é só pra quem tem sensibilidade... Eu mesma traduzo essa metáfora pra vocês... O tapete de prego é algo que fura, dói... Coisa de faquir... Mas se a pessoa souber ser resiliente, vai transformar isto em mola, algo do mesmo material, porém suave, que serve pra deitar sem dor...

Aí um dia, o povo vai ler esse poema e pensar : "Mas o estilo dela não é  falar de amor, paixão, ilusão?" É sim, pô! Mas eu resolvi fazer poema até a inspiração acabar! 

cADA uM SE EXpRE$$A CoMO PODe!


gUEL


CÓDIGO SECRETO IV

Geras um dom, um som, um tom, um sol
E eras um bom, mago espanhol
Rico em aptidões, canções te fiz cantar
Apenas pra me divertir, às vezes pra me consolar...
Longe das multidões, em seus porões
Divas te mandaram buscar
Onde estão as poções?

Que elas foram te encomendar?
Depois de muitos dragões
Que você teve que enfrentar
Sobraram as ficções que agora 
Temos que resgatar

E daquele tempo pra cá
Tanta coisa mudou
O vento soprou
A lua sumiu
A nossa amizade emergiu
Embora muitos nem consigam acreditar
Que tem muito mais que sentimento
Quando a gente é igual
Por fora e por dentro...

Guel Pinna, fazendo ACRÓSTICO só pra se distrair... 29/05/14, 19:32h


CÓDIGO SECRETO V (eSGOTANDO O tEMA)

dEIXA SAN graR
ALuaEoMar
OMe do de doeR
EunãoSOU vOceeeeeee
I ai DEMIM sefo=sse
Então em alto e bom som:
FoiDoce!

Guel Pinna, inaugurando um novo estilo... E terminando este e-mail, que isso toma um tempo danado....kkkkkk São 19: 39h

domingo, 18 de maio de 2014

Por trás do espelho



Deve ser impactante
O teu ser
Vibrante
Assim, forte
Assim, grave
Assim, distante...

Deve ser estimulante
A tua boca, a tua mão
Assim, quente
Assim, coerente
Assim, firme...

Deve ser contundente
Tua história de vida
Assim, concluída
Assim, programada
Assim, organizada...

E por que não dizer, finalmente
Sem qualquer zelo
Que há um certo apelo
Assaz gratificante
Por trás do teu espelho

Guel Pinna, Salvador - 18/05/14 12:03h

Ilusões (recorrentes)



Quantos poemas eu vou ter que escrever?
Até parar de sangrar
Até estancar 
O coração
Assim, ferido...

Quantas lágrimas eu tenho que derramar?
Até aprender a me fechar
Com mil cadeados
E milhões de trancas

Quantos personagens eu tenho que interpretar?
Para mascarar
A minha personalidade

Eu sei que gosto mesmo é de jogar
Com essas coisas
Da sensibilidade

Eu sei que costumo provocar
Uma certa dualidade
Parem de me cultivar
E me cultuar
Como uma eterna divindade!!!!

Eu não tenho nada de sagrado
A verdade é que sou bem profana
Pena que nem todo mundo acredita!!!!
Até projeto uma imagem
Que parece ficar bem na fita...

Mas eu comecei tão dramática
E perdi o fio condutor
Creio que não haverá um novo poema
Para expressar minha dor...

Guel Pinna -Salvador, 18/05/14 11;38h

Estiar

Eu preciso colocar nas palavras
A dor
A força
Dessa chuva
Que você provocou
Até sanar
Até estiar...

Eu tenho até certa urgência
De não me expor
Mas vai ver que é a tal carência
Que me faz supor
Que o tempo  muda lá fora
E a gente fica aqui dentro

Chovendo
Se vendo...

Guel Pinna, Salvador, 18/05/14  11:28h

Sobretudo



Há felicidade na incompletude?
O mundo é assim mesmo
Ou a gente se ilude?
Brincando de ter amigos
Posando de superior
Ensinando pessoas
A abrir o peito
E expulsar o amor...

Me sinto tão eu mesma
E sou mesmo tão eu
Que não cabem incertezas
Não cabem sensações
De eterna dureza
De intensas vibrações...

Creio que você nem sabe
O que sou neste universo
Uma estrela cadente?
Num planeta perverso?

Creio que você nem acredita
No sentimento que expresso...
Ok, ok... tudo é antítese
E acima de tudo
Sobretudo
Verso...

Guel Pinna, Salvador, 18/05/14 11:20h

Linhas de combate


E por que não chegar mais perto?
Sentir o cheiro
Provar o gosto?

E por que você me teme?
Eu não queimo
Eu não mordo...
Eu não tenho medos
Eu não corro risco
Porque sei exatamente
O oceano em que piso...

Mas eu ardo!
Estou em chamas
Eu tenho um sério problema
De achar que o toque de carinho
Pode sim, valer a pena...

Por que você nunca me abraçou?
Nem me colocou no colo?
Por que você não me cuidou?
Nem se afastou?
Nem me criticou?
Nem me aplaudiu?

Porque você sorriu
Ao entrar na minha terra
E se você permitiu
Que eu cavasse essa trincheira
Pra ficar assim tão distante
Diante
Dessa tua barreira
É porque o mundo proibiu
Assim, essas minhas ideias...

Que pena que você partiu
E amanhã
Não me inspirará poemas
Eu só precisava te contar
Que foi difícil manter o dilema...

Guel Pinna, em 18/05/14 às 11:00h...
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terça-feira, 8 de abril de 2014

A essência da princesa




A essência da princesa

Num reino distante, nasceu uma princesinha muito diferente de seus pais
Seu pai, forte e belo
Sua mãe linda e prendada
E a princesinha feia, coxa e cega
Dos pais, não tinha nada...

Aos 18 anos, buscaram-se maridos
E mesmo vendo o reino rico e concorrido
Nenhum belo príncipe fez proposta
A princesinha inteligente,
Sem ter um pretendente
Poderia um dia ser deposta?

Seus pais a amavam ternamente
E queriam que sua linhagem tivesse continuidade
E para tal, quebrando o protocolo, gravemente
Permitiram que qualquer homem se candidatasse...

Mais uma vez, nenhum candidato...
A princesa feia de infância, também tornou-se obesa
Era eloquente e diferente
De todos os seus parentes da realeza...

Um dia surgiu na cidade
Numa noite de tempestade
Uma certa mulher com fama de bruxa
Poderosa e irreverente
E talvez a única vivente
Capaz de tirar algum feitiço pre-existente

Chamada foi ao reino
E lá numa noite de lua cheia apareceu
A bruxa tinha cabelos vermelhos
Pele alva e corpo perfeito
E seu sorriso era belíssimo
Impressionava tanto sua figura
Que pra desespero da rainha
O Rei se viu imediatamente
Terrivelmente
Apaixonado...

E a feia princesinha
Que alma boa tinha
E grande capacidade de prever o futuro
Sonhou com um grande muro
A lhe separar da humanidade...
Chamou seu querido conselheiro
Um sábio e velho guerreiro
Fiel aos seus pais e ao seu país

Também o fiel guerreiro
Com coração puro e aberto
Temeu pelo futuro incerto
Daquele seu doce reino

O Rei estava cego
De um desejo perverso
Pala bruxa bela
Tal foi sua demonstração de afeto
Que ela, lhe pediu no mesmo dia:
“Se me queres e me amas
Me entregas teu bem mais precioso:
Tua filha!”

O Rei não sabia o que fazer
Mas estava louco de paixão
Magoava com sua atitude sua esposa
Colocava o reino em perigo
E nada disso percebia...
Preso que estava a uma ilusão
Parecia enfeitiçado
Pela bruxa ruiva e sua magia...

Que fez a jovem princesa
Desprovida de beleza
Mas belíssima em sua essência?
Desafiou a bruxa e seus encantos
Para uma prova de canto
De jogos e destreza

Se ganhasse a bruxa, teria tudo que exigiu
Se ganhasse a princesa, a bruxa iria embora
E os deixaria em paz...
Apesar dos juízes todos enfeitiçados
Votarem na bruxa como melhor cantora
O povo, presente na prova
Vaiou a bruxa formosa
E os ecos desse gesto
Trouxeram os juízes de volta
A natural imparcialidade
E na prova de canto de verdade
Venceu a princesa sem engodo...

Veio o jogo de tabuleiro
Xadrez, pra ser exata
E mesmo sendo uma jogadora nata
Por conta dos sortilégios
A princesa  perdeu nessa etapa
E sendo assim
Tivemos um empate no fim

A prova de destreza
Consistia em arrumar um jantar na mesa
Que agradasse ao Rei e a Rainha
E é claro que a bruxinha
Usou de seus poderes

Ao provarem seus pratos
Feitos com ossos de cadáveres e ratos
Os reis foram mais uma vez hipnotizados
Enquanto que a feia princesinha
Na sua mesa tinha
Saborosas iguarias

Quando os reis encantados
Iam dar seus veredictos
Eis que se ouvem os gritos
De revolta do povo leal
A bruxa não tinha poder
Para deter
O público em geral
Seus feitiços eram restritos
E fosse o povo omisso
A prova estaria comprometida
E bruxa ruiva
Teria o que pedia...

Os reis saíram da hipnose
Com o grito em apoteose
De seus súditos em clamores legítimos
A bruxa foi presa e banida
E assim perdeu seu poder
Agora todos podiam ver
Como ela realmente era...
Um corpo perfeito,
Um rosto magnífico
E um cheiro fétido
Que lhe vinha da alma caída...
E partir desse dia no reino
Todos identificavam o cheiro
Da princesinha feia
Era tão encantador o seu perfume
Que lhe vinha da alma pura e bondosa
Que qualquer pessoa receosa
De sua aparência diferente
Logo percebia
Que ser humano fantástico existia
Sob a capa de um corpo sem apelos...

Assim, um dia, sem rodeios
Veio um jovem desprovido de recursos
Mas cheio de amor pela princesa
Porque a via em sua inteireza
E com ela queria se casar...

Os pais abençoaram a união
E unidos numa só emoção
A feia princesa
Dotada de grande beleza
Em seu amoroso coração
Casou com um jovem sem realeza
Mas cheio de caráter e nobreza
E assim viveram felizes
Num reino cheio de matizes
De luz e de crescimento
Não havia guerras
Nem conquistas
Porque o povo enxergava
Além de suas vistas

E a feia princesinha
Tornou a mais admirada rainha
De todos os tempos conhecidos
Porque a beleza não vem de fora, apenas
Ela emana de dentro
E o belo sem um rumo
Sem um bom sentimento
Um dia se deteriora
E que pena que o preconceito ainda mora
Em tantos pensamentos
Espero que com essa história
Você reveja seus conceitos
De ética, de essência e de aparência
E passe a enxergar direito

Guel Pinna
Salvador, 08/04/20414 03:57